É curioso a REDE GLOBO ter surgido logo após o golpe militar de 64, na cidade do Rio de Janeiro, sob a bandeira de ser o veículo de comunicação mais importante na “integração nacional”, tendo servido, na verdade, como instrumento na consolidação do regime militar, ajudando a propagandear os anos plúmbeos que se seguiriam até nossa “redemocratização”, ocorrida em 1985.
A verdade é que a Globo foi totalmente omissa (há quem diga que colaborou com os generais!) durante o período da ditadura. Enquanto nossos intelectuais de cabeças pensantes eram massacrados nos porões das delegacias e dos quartéis, e nossos estudantes e líderes sindicais eram duramente reprimidos em suas manifestações contra a censura e contra o autoritarismo, o Jornal Nacional preferia falar sobre o Pró-Álcool, a Transamazônica e os jogos da seleção canarinho!!!
Após o regime militar, a Globo percebeu que era vital para sua consolidação de líder, ficar ao lado da classe dominante, fazendo uma TV subserviente e voltada para a propagação da direita elitista e compromissada com os contra-valores do neocapitalismo, em detrimento de uma esquerda que avançava sob a égide da ideologia marxista-científica, não aquela do MST invasor e subversivo, mas aquela compromissada com a justiça e a igualdade social.
Se é mesmo verdade que a vida começa aos 40, temos muito com que nos preocupar, pois esse imenso gigante, com um imenso conglomerado de empresas de comunicação atuando em todo Brasil, só tende a crescer se continuar sendo consumido pelo nosso povo da forma como vem sendo. Hoje em dia, qualquer pessoa que fez um mínimo de esforço e conseguiu tirar “as ataduras sobre os olhos da cegueira comodista”, pode notar como ela se esforça na obtenção de uma coisa muito mais vital que uma simples liderança no ibope: ser o “veículo condutor por excelência” a favor de poderosos grupos multinacionais que visam destruir nossa identidade brasileira.
Que poder será este capaz de hipnotizar cerca de 90 milhões de pessoas em frente a uma televisão (como aconteceu na reta final da novela Celebridade), enquanto o pais é recordista mundial em taxas de juros, mortes por acidentes de trânsito, índices mundiais de corrupção, degradação do meio ambiente, índices de desemprego, mortes por armas de fogo, etc.? O que as pessoas realmente lucram (no sentido mais amplo do termo) com domingos e domingos a fio trancafiados dentro de casa assistindo ao “Domingão do Faustão”? Será que o Jornal Nacional está sempre com a razão? Será que a programação desta emissora está realmente comprometida com a verdade?
A questão não é desligar a televisão, mas filtrar com senso crítico sua programação e não usá-la como único referencial de informação e entretenimento (por que será que lemos tão pouco?).
Por ser a mais rica e a mais assistida a Globo parece ser a mais atacada, todavia não podemos poupar as outras emissoras e demais meios de comunicação na terra brasilis, até porque estaríamos sendo injustos: é óbvio que os meios de comunicação, sobretudo no Continente Americano, servem-se das mesmas táticas usadas pela Globo, com raríssimas exceções (acho que dá para contar nos dedos).
Lobos com pele de cordeiro, os MEIOS DE COMUNICAÇÃO atuam no sentido de criar um consenso acerca dos fatos ocorridos na realidade, consenso que podemos chamar de manipulação, distorção dos fatos e veiculações mal intencionadas, com a finalidade prática de ser propagador da ideologia que tenta a todo custo destruir os valores éticos, morais e religiosos herdados dos nossos antepassados e que basilaram toda uma conduta que permitiu chegarmos até aqui.
A maior parte da programação das TVs brasileiras tem compromisso apenas com os índices de audiência, e os outros meios de comunicação de massa estão preocupados apenas em vender seu produto... Se for para mostrar sangue, tiros, bunda, pornografia, se for para impregnar em nossos lares os contra-valores morais e cristãos, como a destruição da família, se for para incutir nas pobres cabeças não-pensantes os modismos americanos; se for para dar “pão e circo” ao povo, para que este não pare para pensar e resolva mudar os destinos deste país, aceitando tudo como vacas de presépio, os meios de comunicação são uma arma poderosa e eficaz nesta prática!!!
Entretanto, usados em mãos idôneas, os meios de comunicação representam um recurso dos cidadãos contra os abusos de poder. Os três poderes tradicionais - Legislativo, Executivo e Judiciário, a despeito de serem imprescindíveis e salutares em qualquer democracia, não estão (e nem devem estar) acima do bem e do mal e, como tal, são passíveis de arbitrariedades ou mesmo erros, que podem ter reflexos bastante negativos para o povo, seja cerceando direitos constitucionais, seja censurando liberdades, como a “liberdade de expressão”, fundamental num regime democrático.
E quando estes “Três Poderes” negligenciam ou ignoram nossos direitos, “em tese” entra em cena a IMPRENSA, na defesa dos direitos mais sagrados e inalienáveis do povo, ora denunciando, ora cobrando, ora fiscalizando, daí que ganhou a conotação de “o quarto poder”.
Outrossim, não posso estar aqui apenas para “atacar” os meios de comunicação, pois há neles o lado bom! A história mostra vários casos em que os meios de comunicação tornaram-se vital para a manutenção de democracias, para pôr fim a ditaduras, etc... ora denunciando injustiças sociais, ora mostrando exemplos positivos e construtivos de cidadania, até mesmo fazendo as pessoas mergulharem em mundos longínquos e exóticos, que jamais poderiam ter acesso, não fosse a TV, tudo isto é verdade!!!
A preocupação aparece quando constatamos que os meios de comunicação quase sempre são silentes quanto ao fato de que os detentores do poder constituem-se num punhado de grupos econômicos que usam do poder capitalista e da influência política para interferir na soberania de vários Estados, parecendo, às vezes, serem mais importantes que os próprios governantes destes. São eles, os “novos senhores do mundo” (leia-se G7), que se reúnem anualmente em Davos, na Suíça, no âmbito do Fórum Econômico Mundial, para discutirem, a seu modo, as políticas a serem adotadas pela grande Trindade da globalização: o FMI, o Banco Mundial e a Organização Mundial do Comércio.
Em nome da chamada “liberdade de imprensa” (a qual eu chamo liberdade de empresa), muitos absurdos são cometidos. Os grandes meios de comunicação privilegiam seus interesses particulares em detrimento do interesse geral e confundem a liberdade de sua empresa com a liberdade de imprensa, contudo, mesmo a liberdade de imprensa não pode, de forma alguma, prevalecer sobre o direito dos cidadãos a uma informação rigorosa e verificada, nem servir de pretexto para a difusão de notícias falsas ou difamatórias. A liberdade da mídia não passa de uma extensão da liberdade coletiva de expressão, um dos fundamentos da democracia. Enquanto tal, não pode ser confiscada por um grupo de poderosos. A mídia é, atualmente, o único poder sem um contra-poder, criando-se, dessa forma, um desequilíbrio prejudicial para a democracia.
Portanto, a questão que se coloca é a seguinte: como reagir? Como se defender? Como resistir à ofensiva deste “poder” que vem traindo os cidadãos, passando-se para o inimigo?
Para chegarmos à resposta, temos que voltar ao título desta matéria e botarmos nossas massas cefálicas urgentemente para pensar num modo de se criar um “quinto poder”. Um quinto poder que nos permita opor uma força cidadã à nova coalizão dos senhores dominantes. Um poder cuja função seria a de denunciar o superpoder dos meios de comunicação, dos grandes grupos da mídia, cúmplices e difusores da globalização liberal. Meios de comunicação que, em determinadas circunstâncias, não só deixaram de defender os cidadãos, mas, às vezes, agem explicitamente contra o povo.
Urge refletirmos sobre a maneira pela qual os cidadãos possam exigir dos grandes meios de comunicação mais ética, mais verdade, mais respeito, não só para com os telespectadores, mas para com toda a população, que acaba afetada direta ou indiretamente por esta promiscuidade existente na mídia atual, seja assimilando valores distorcidos, seja sendo massa de manobra, seja incutindo realidades que não são a nossa, em detrimento da extinção de tudo o que está ligado às nossas raízes. Afinal, aonde iremos parar? Se o objetivo é exterminar nossa identidade brasileira, parece que estão conseguindo!!! E sem identidade, que povo seremos?!
Cícero Henrique da Silva
Bacharel em Direito pela FADICA
Advogado inscrito na OAB/PE
Assessor Jurídico da Prefeitura de Lajedo
Professor contratado da Rede Estadual de Ensino
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